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MEMÓRIA
Escrete - mais uma homenagem
O Movimento Negro do Maranhão está de luto. Na manhã de quinta-feira, do dia 25 de janeiro, morria Escrete, cantor e compositor do bloco afro Akomabu, do Centro de Cultura Negra do Maranhão
Por Eloísa Monteiro,
Jornalista e integrante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa
eloisabelfor@hotmail.com
Foto: Carlos MouraO Movimento Negro do Maranhão está de luto. Na manhã de quinta-feira, do dia 25 de janeiro, morria Escrete, cantor e compositor do bloco afro Akomabu, do Centro de Cultura Negra do Maranhão. Autor de “Sereia” e “Gaiola”, canções-símbolos, a primeira, da beleza da mulher, a segunda, da luta contra o racismo.

Homem de estatura baixa, mas de grandiosa força interior. Alegre, brincalhão, era assim Escrete no dia-a-dia, ou melhor, nos ensaios do bloco, aos sábados, na sede do CCN. A brincadeira na roda de amigos, em especial com Paulinho Akomabu, Tadeu de Obatalá, Carlão Rastafari e Gisele Padilha era freqüente.

Era amado e admirado. A resposta está na grande multidão presente ao seu velório, no teatro Maria Aragão, e sepultamento, no cemitério do Gavião. Familiares, amigos, admiradores, fãs, compareceram para dar adeus ao preto velho que foi para junto das estrelas de lá, dos caboclos, voduns, encantados e orixás, como diz a música “Escrete, junto às estrelas”, feita em sua homenagem por Paulinho e Tadeu.

Não recebeu homenagens apenas depois de morto, como insistem em dizer alguns, porém pode-se ressaltar que Escrete não teve a merecida valorização profissional, por parte de órgãos públicos responsáveis em fomentar a cultura no estado, também pela mídia televisiva, que em alguns casos, nas manhãs de sábado, preferia colocar em seus programas o forró cearense, que a prata da casa, ainda mais cantando e tocando afoxé - mina.

É relembrando o teu semblante alegre e brincalhão, o teu combate e luta contra a discriminação racial, a tua vontade, garra e raça de ver o povo negro ser respeitado em seus direitos e sua dignidade, que o GRUPO DE MULHERES NEGRAS “MÃE ANDRESA” vem te homenagear. Homenagear aquele que tão bem exaltou a beleza e garra, da mulher negra, a força dos orixás femininos, em suas músicas, como em 97, quando o tema do Akomabu foi “Rainhas Negras”, e você compôs e cantou assim: “Ô ginga lá, ô ginga lá, negra África, na ginga de Nanã, Oxum, Iansã, Iemanjá. Mulher que nasce em lua cheia, na realeza não bambeia. Raiou ternura e rebeldia, mulher é deusa, bruxa e sabedoria”.

Certamente, a Terra está mais triste esses dias, mas não se pode dizer o mesmo no Orum (céu), pelo contrário, o encontro com as irmãs e os irmãos de luta, que também partiram como: Sílvia Cantanhede, Jorgina (Pretinha), Eunice, Mãe Andresa, Mãe Dudu, Dandara, Bob Marley, Marthin Luther King,
Tião, Sabará, Zumbi, e tantas e tantos outros, com certeza foi uma grande festa.

E nesse Carnaval, quando o Akomabu estiver passando pelas avenidas e ruas de São Luís, uma voz, lá do alto se juntará aos demais cantores aqui, abençoando a procissão quilombola. “Lá vai a romaria, África mama, Mariama, Maria. Akomabu caminhada de fé, levada pela mina e candomblé. Cantar, cantar
e muito mais, cantar amor, cantar a paz”.

Descanse em paz, malungo (companheiro de viagem), ao lado de Olorum!
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