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       Nº. 11
Novos artistas na cena baiana


Cláudia Santos, Professora
da Rede Pública Estadual (BA)

Ibrahim do Nascimento Santos, 26 anos, nasceu na histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Desde os nove anos ajudava os dez irmãos mais velhos em seus mais variados ofícios. De mais significativo lembra que auxiliava muito um irmão que é cabeleleiro e outro que trabalhava com decoração. Guarda da infância a memória da professora que sempre pedia para que ele desenhasse no quadro, o que considerava chato, pois não tinha vontade de se expor, embora ouvisse com atenção as criticas dos irmãos sobre seus desenhos, algo que tinha como referencial para melhorar o traço. Balconista, vendedor, mecânico, office-boy, Ibrahim tentou estas profissões, que avalia como experiências difíceis, a partir dos 15 anos. Só em 1997 começou a gostar de pintura, neste mesmo ano fez uma performance na bienal do recôncavo (evento promovido pelo Centro Cultural Danneman) e começou a se relacionar com outros artistas, de quem tentava aprender pela observação. Mudou para Salvador há três anos, em busca de trabalho. Nessa época, uma namorada que ele considera muito “estudiosa”, também artista plástica e aluna da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi a maior incentivadora para que ele tentasse o vestibular. Ibrahim encarou o desafio e foi aprovado.


Marcelo Roberto da Silva Santos, 31 anos, é natural de Salvador entrou no mundo do trabalho aos quinze anos: fez leitura de hidrômetros, foi vendedor, monitor, garçom, atendente ... Sobre o mundo do desenho, diz: “estou nisso desde que me entendo por gente, só que sempre deixei em segundo plano, sempre gostei de história em quadrinho, desenho animado, mesmo antes de ler. Mas sempre tentei me enquadrar no sistema, ser um rapaz trabalhador, nunca tive o incentivo da família pra desenhar”. Marcelo começou a inverter as prioridades a partir de 1995. Quando era vendedor numa loja de cd´s, conheceu pessoas que faziam pichação e logo depois se aproximou de grafiteiros. Em seguida, veio a fase de experimentar o rock e por fim se encontrou no rap. Em 2000, quando estava decidido a prestar vestibular, recebeu um convite para uma boa oportunidade de trabalho em Esplanada (cidade do interior do estado). Dividido outra vez, optou pelo que chama de “sistema”, aceitando a combinação “salário e posição social mais elevada” no trabalho por dois anos e meio. Não contava que a experiência lhe desse também uma grande frustração e o trouxesse de volta a Salvador e a uma nova tentativa de vestibular. Estudando sozinho, como Ibrahim, passou no exame e obteve a quinta melhor classificação entre os aprovados.

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