Das passarelas, passando
pelo Big Brother Brasil 1,
Vanessa Pasquale é a grande
promessa negra como
apresentadora na TV brasileira.
Filha de pai diplomata nigeriano (ausente desde sua infância) e de mãe de descendência luso-africana, Vanessa Pasquale desde pequena teve consciência de sua negritude e da importância cultural de seu povo. “Sempre tivemos muitos africanos em nossa casa. A cultura negra sempre esteve viva em mim. Me lembro bem dos almoços, quando preparavam aquelas comidas típicas, a gente fazia um bolinho e comia com a mão”, diz ela. Preconceito direto nunca sofreu, mas tem a consciência de que como modelo nunca trabalhou tanto quanto outras modelos, de outras raças. “Minhas amigas faziam capa de revista e eu apenas as revistas especializadas como a Raça Brasil e a Beleza Negra, apesar da minha primeira capa ter sido na Revista dos Escoteiros”, explica rindo, pois já andou muitas léguas como escoteira. Na época da editora Bloch no Rio, quando ia levar juntamente com outras amigas modelos o book para as diversas revistas que existiam no prédio, todas eram chamadas menos ela. Hoje, a modelo-atriz acha que a coisa mudou um pouco, pois a questão da lei das cotas na publicidade melhorou muito o panorama participativo do negro no mercado da moda. Ex-Big Brother Brasil 1, Vanessa Pasquale começou muito cedo na vida de modelo-manequim. Aos 16 fez curso com Monique Evans e em 91 ganhou o concurso Barra Shopping, quando entrou efetivamente para esse setor do
mercado. Entre comerciais de publicidade, vídeo-clips e desfiles com grandes grifes do Brasil, Vanessa com 19 anos foi convidada para fazer filmes de curta metragem, onde manteve um contato maior com pessoas de teatro que a incentivaram a estudar. Depois de idas e vindas à França, onde foi fazer curso de francês pela Aliança Francesa, ela volta ao Brasil em 98 e é convidada para a oficina da Globo, onde ficou 4 meses. Envolvida demais com artes cênicas, a modelo logo entra na Cal e ao se formar em 2001 monta um projeto de teatro com uma amiga de turma. Pela dificuldade de patrocínio para começar o projeto, ela vê no BBB1 uma possibilidade de conseguir dinheiro para produção. Ao enviar a fita e ser aprovada, consegue ganhar o 2ª lugar no jogo.
Perguntada sobre o proveito tirado na experiência, Vanessa diz que ao mesmo tempo que deu visibilidade ao seu trabalho como modelo e atriz, a rotulação da marca BBB deixa os participantes um pouco presos pela grandiosidade que a mídia dá. Sobre a questão das cotas nas universidades, Vanessa se torna um pouco reticente na aprovação – para não dizer que reprova: “Sempre estudei em escola pública. Fiz inglês e francês, apesar de ser uma das únicas negras na sala.